 |
|
|
1, 2, 3
as palavras ferem
e também fenecem
as imagens não calam

Escrito por Aluísio de Paula às 17h51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
IN VERSO
IN VERSO
Ontem a banda Zirigdun Pfóin demonstrou que existe, sim, vida inteligente na poesia curitibana. Curitiba importa muito produto cultural e não se importa muito com o que de bom se faz aqui. Ainda hoje, os profetas não têm crédito em sua própria terra.
In Verso é o nome do projeto que deu asas às palavras que habitavam apenas livros não muito lidos, em sua grande maioria, editados e vendidos pelos próprios autores. Os poemas foram belamente musicados. Nomes mais conhecidos como Batista de Pilar, Amarildo Anzolin, Carlos Borges Lima (com uma produção densa e constante há tempos) se somaram a outros como Flávio Jacobsen, Juliano Gruss e este que vos escreve, que também já estão na batalha com as musas não é de hoje.
As Livrarias Curitiba estão de parabéns por apoiar e ceder seu espaço para o In Verso. Suas muitas ações culturais, como pocket shows, palestras e exposições são louváveis. Tomara mais empresas sigam este exemplo e apóiem a verdadeira arte curitibana, produzida por artistas que vivem e produzem à margem do fluxo de dinheiro estatal.
Não ficamos devendo nada a nenhuma outra cidade em qualidade poética e musical. O público que lá esteve saiu satisfeito e com cara de "quero mais!". Este projeto pode e merece ganhar mais divulgação na terra dos pinheirais e também ser exportado, pra variar. Dizem que quem faz sucesso aqui, se dá bem em qualquer lugar do mundo. Mas muitos precisam conquistar o mundo antes de convencer Curitiba, vide os muitos atores e atrizes, pra ficar num só ramo da arte. Vamos ver o desenrolar do In Verso, porque tudo indica que algo vai acontecer, agora que o primeiro floco de neve começou a rolar a montanha...
Escrito por Aluísio de Paula às 17h02
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
IMAGENS

Escrito por Aluísio de Paula às 10h07
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Mais rápido que a...
Mais rápido que a...
Se você é um leitor compulsivo ou fez algum curso de comunicação ou artes, em que se tem aulas de fotografia, deve conhecer a abertura 5.6 do diafragma.
Caso seja um leigo, mas um apaixonado, e quer aprender a escrever com a luz, não é tarde, pelo contrário, pois, ao que tudo indica, agora a hora é certa.
Começou a funcionar no mês passado, aqui em Curitiba, o 5.6 Núcleo de Fotojornalismo e Estudos Avançados da Imagem. O núcleo vai ofertar vários cursos de fotojornalismo, de níveis e durações diferentes.
Uma interessante proposta do núcleo foi a criação do Espaço Fotógrafo: um grupo de profissionais e amantes da fotografia que vai se reunir durante um ano para discutir e trocar experiências na área. E outra idéia é a cada mês, trazer um profissional de renome para falar sobre o seu trabalho, sobre o mercado, sobre o mundo.
Desta vez quem vai revelar um pouco dos mistérios dessa profissão será Marina Passos, editora de fotografia da AFP (Agência France Press), uma das duas maiores agências do mundo, junto com a Reuters. Baseada no Chipre, é ela a responsável da AFP por todas as imagens do Oriente Médio que viajam o mundo. Aquelas que chocam ou alegram, mas que sempre emocionam milhões de pessoas.
É uma oportunidade rara para ouvir uma jovem brasileira (ela só tem 31!) que chegou tão longe num segmento dominado por homens, mais velhos e de outras nacionalidades. A palestra vai ser agora no dia 22 de agosto. Quem quiser mais informações pode escrever para nucleodefotojornalismo@hotmail.com. Ouvi dizer que até o dia 22 o site www.nucleodefotojornalismo.com.br vai estar funcionando.
Se você está se perguntando “qual é a dessa abertura 5.6?”, é o seguinte, algo como uma abertura coringa, a luminosidade que entra dá pra fotografar tanto lá longe, cá perto ou ali pelo meio, a profundidade de campo alcança de tudo um pouco. Ou seja, é perfeita para o fotojornalismo, profissão em que o tempo viaja à velocidade da luz.
ps: Ia esquecendo, Marina Passos vai falar com o Notícia Viva, não perca!
Escrito por Aluísio de Paula às 14h38
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
A MÚSICA É BRANCA
A MÚSICA É BRANCA
Não sou especialista em música. Quem dera. Mas tenho algumas fixações. Mozart é uma delas. Fico imaginando como teria sido ouvi-lo tocar, conhecer o homem, ouvir suas histórias, conhecer suas motivações, as paixões, o que o inspirava. Os gênios devem ser pessoas de difícil trato, imagino.
Estou enganado. Pelo menos no que se refere a outro gênio, considerado por muitos especialistas o maior músico do mundo. Hermeto Pascoal é a antítese de tudo o que se espera de alguém que ultrapassa a barreira do compreensível e de lá nos traz tesouros incalculáveis em forma de sons. Atencioso, compreensivo, generoso, doce, gentil, modesto, pé no chão, se é que se pode atribuir-lhe tal adjetivo. Completamente diferente da maioria dos aspirantes a celebridades em quaisquer áreas.
Mas, pensando bem, não se poderia esperar outra coisa da música. Arte absoluta, linguagem universal, idioma do espírito, só poderia ser assim. Hermeto é a música em carne e osso. "O silêncio é a melhor coisa do mundo", ele diz encantado, se referindo aos momentos em que pode se entregar ao silêncio e dele forjar as mais surpreendentes imagens harmônicas, as mais estupendas histórias melódicas, seus maviosos poemas rítmicos.
A música é como uma colcha de crochê, silêncios que separam e unem uma nota à outra, como os vazios ladeados de fio. Sem o silêncio não haveria música, como não haveria tudo sem o nada separando uma e outra parte das coisas. Hermeto consegue emoldurar os silêncios como ninguém. Apresentar outras versões (ou as corretas?) da realidade. Com sua música universal, ele destranca os sentidos, amplia a percepção das pessoas, ensina novas possibilidades sonoras.

Escrito por Aluísio de Paula às 15h47
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
A MÚSICA É BRANCA - CONTINUAÇÃO
A MÚSICA É BRANCA - CONTINUAÇÃO
Hermeto Pascoal está morando aqui em Curitiba. Para quem não sabia, vou repetir: Hermeto Pascoal está aqui em Curitiba. Ele e sua esposa-parceira-pupila-fã-irmã-mãe-e-filha Aline Morena (não ia esquecer dela, o único instrumento que Hermeto levaria para uma ilha deserta) têm um projeto maravilhoso, o Templo do Som Hermeto Pascoal. O incrível projeto arquitetônico já está pronto e é assinado pelo arquiteto Mário Biselli.
Será um espaço para o ensino da música, com auditório para espetáculos, salas multimídia com obras do mestre, partituras originais, gravações raras, imagens, um grande acervo com boa parte do que ele já produziu até hoje, e que não é pouco. Um centro de grande relevância social, para discussão da música contemporânea e que aproximará tanto as pessoas que querem aprender a fazer música quanto quem precisa ouvir música de qualidade, que melhora o ser humano, transcende o tempo, e que fica para a posteridade. Mas para se tornar realidade, é preciso que o poder público, a prefeitura ou o governo do estado, se unam a empresas seriamente comprometidas com o bem-estar dos seus clientes e da sociedade em geral. Senão podemos perder a oportunidade de ter aqui um lugar que tanto trará benefícios culturais para os curitibanos quanto atrairá músicos e estudiosos e amantes da música do mundo inteiro, gerando certamente receita para turismo da cidade.
Tivemos, eu e a radialista e pianista Cláudia Cândido, o prazer de passar uma tarde inteira com o "mestre campeão" e Aline Morena. O tempo voou. E nesse período ele falou um pouco de tudo, da sua história, da sua família, dos seus amigos, e muito de música. Em outra oportunidade, transcreverei o melhor desse dia mágico.
Mozart nasceu em Salzburgo, mas anualmente milhares de pessoas viajam também para Viena, para conhecer os lugares onde ele viveu, onde tocou e se consagrou como um dos maiores compositores de todos os tempos. Não fui até lá, mas tive a honra de conhecer, aqui mesmo em Curitiba, Hermeto Pascoal, um dos grandes compositores de todos os tempos, o homem cuja genialidade só não é maior que o próprio coração.

Sites oficiais:
http://www.hermetopascoalealinemorena.com.br/
http://www.hermetopascoal.com.br/
Escrito por Aluísio de Paula às 15h46
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
ENSAIO AO VIVO
ENSAIO AO VIVO
Palavreio demais... Imagino de menos. Deixar essas imagens falar com vocês.
Todas do meu bravo celular de nem um mega-pixel.
O tecido social e suas texturas.







Escrito por Aluísio de Paula às 04h21
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
TIRITANDO
TIRITANDO
Um cara que eu conheço não sabia o que significava o verbo tiritar. Mesmo vivendo em Curitiba, e tiritando a cada inverno, às vezes até no verão, o tal desconhecia a palavra. Paciência, não se pode saber tudo. Mas aquele um... bem, deixa pra lá.
Hoje o dia nasceu branco, branco, branco. Não, não era a neve, tão sonhada pelos curitibanos. Mas era a geada, tão temida pelos agricultores, pelos hortifrutigranjeiros, pelos moradores de rua e pobres em geral. Sinto desapontar algumas pessoas, mas nem todos têm dinheiro pra nova coleção de inverno...
Muita gente morria nos invernos de antigamente. Tem até um post de 23.01.2006 (JOSÉ E O AQUECIMENTO GLOBAL) sobre um motorista de ônibus que falou com uma certa saudade desse tempo. Ele trabalhava lavando cadáveres. Atualmente ainda se morre de frio, bastante. Mas sei lá, parece que ninguém liga pra morte de pobre. Pra morte nenhuma, na verdade. Também não ligo. Não faço questão de ir nem no meu próprio velório.
Mas vão aí umas provas cabais do frio dessa cidade. O frio de fora não incomoda muito, embora inevitável. O problema é o frio que habita o interior das pessoas. Mas sem generalizar, pois como diz o Millôr: “toda generalização é burra, menos esta.”
{verbete}
Datação 1666 cf. Agiólogo
Acepções ■ verbo intransitivo tremer (de frio, medo ou febre)



Escrito por Aluísio de Paula às 12h50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
pondere
pondere
serei rápido: não tenha pressa!
não se desespere para saber todas as notícias
poquíssimas têm real relevância pra você
se concentre no que realmente importa
como o quanto a sua família ama você
ou se a velhinha no asilo pode estar
precisando de um ouvinte atento
no mais, nem esquente se não
lembrou de acessar o blog ontem
a notícia mais importante você
já sabe: ainda estamos vivos...
ps: descobri que suzana está de atestado
deve voltar ao trabalho amanhã
Escrito por Aluísio de Paula às 15h27
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
SEM ONTEM
SEM ONTEM
Hoje ela não estava novamente. Ontem havia ido ao médico, mas isso avisou na segunda-feira. O que houve com Suzana, a vendedora de jornais que me atende todo dia? Espero que seja alguma coisa à toa, uma gripe, algo do gênero.
Dia desses, assaltaram a coitada. “Dois caras numa moto. Às sete da manhã. Pode?” Me disse numa de nossas conversas telegráficas enquanto o sinal vermelho. Fiquei sem as notícias, na ignorância de tudo o que aconteceu ontem, ou antes. Mas o que está me incomodando é não saber o que se passa com ela. Havia outra pessoa em seu lugar hoje, um piazão que geralmente fica alguns sinais à frente. Ontem, o sinal vazio.
E nas notícias do rádio, ainda só ouço aviões, aeroportos fechados... Andam todos aéreos com esta crise crônica. Depois de muito taxiar, vai haver troca de ministro. Vamos ver se as soluções decolam. Diz a meteorologia que daqui até o fim de semana a temperatura desce a ladeira, vai pra perto ou passa do zero. Enquanto isso, vou escrevendo sobre detalhes inexpressivos, como aquele pedacinho azul ali, insistindo em meio a muralha de nuvens.
Escrito por Aluísio de Paula às 10h25
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
O peso do papel
O peso do papel
O cara passou puxando o carrinho. Só estava pelo meio de papel, mas parecia pesar toneladas. Seus passos eram lentos, estudados, reflexivos. Ou apenas absurdamente tristes, melancólicos, um desalento profundo.
Se estivesse com roupas da moda, em outro cenário, ou pilotando um carro do ano (ao invés do carrinho tosco de carroceria de metal e com duas rodas de bicicleta), poderia passar por escritor, ator, artista plástico, comerciante, investidor, qualquer uma dessas profissões que não exigem diploma universitário e dão fama e/ou dinheiro a quem as exerce.
Mas a vida é que pesa e os vinte e pouco anos pareciam quase século, porque a dor envelhece mais que o tempo. E ele, que tinha o futuro todo pra ser feliz, completo, arredondar a realidade, segue afundando os pés no asfalto, como se fosse nada...
Escrito por Aluísio de Paula às 16h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Voltando...
Voltando...
Foto tirada no Batel, bairro nobre de Curitiba
Escrito por Aluísio de Paula às 11h27
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
DONA TEREZA
DONA TEREZA
"Bom dia", saúdo a mulher que já começou a trabalhar bem antes de mim.
"Dia! Indo trabalhá, né? Tem que trabalhar, senão a gente não é ninguém não", ela me responde com o conhecimento prático e ancestral daqueles que levam esse mundo nas costas.
"Meu nome é Tereza de Lima, mas minha mãe me apelidou de Tila", me diz a simpática senhora de meia idade enquanto abre uma caixa de papelão e coloca no compacto e charmoso carrinho azul. Comento que seu carrinho é um tanto pequeno e ela prontamente diz que nele cabe bastante coisa. "Esses dia, ganhei um monte de coisa de uma senhora, deu direitinho nele."
"Eu sou de Faxinal. Você conhece a Barra Feia?" Ela me inquire num sorriso falho aqui e acolá, mas sincero e terno.
"Não, não conheço. Você veio de lá pequena?"
"Quando minha mãe teve eu, ela veio. Ela só teve eu. Num tenho irmão. Ela ia ter outro, mas o pai deu remédio pra matar."
A vida imita a arte? A cada nova pessoa humilde que conheço, uma nova odisséia. Com algumas similaridades, mas todas fantásticas, com algum quê de romance russo. E por isso decidi dar voz a elas cá neste espaço.
O sol de fevereiro nos chicoteia, já ardido às quinze pras nove da manhã, no horário de verão. Precisamos nos separar, ela vira para a esquerda, sigo em frente. Pergunto onde ela mora e digo que vamos nos ver mais vezes. Ela se despede animada.
"Vamos trabalhá, que é preciso, senão a gente não come." E se vai sob a luz dos trópicos, que já deu tanto de comer de graça quando nossos ancestrais índios nadavam nus no rio Atuba, um pouco à frente...
Escrito por Aluísio de Paula às 09h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Pare agora ou cole-se pra sempre
Pare agora ou cole-se para sempre
Agora há pouco, indo pra um dos lugares onde trabalho, vi uma cena rara. Um catador de papel cheirava cola sob o sol inclemente das três da tarde. Estava sem camisa, sentado numa caixa de concreto que serve de banco, encostado no muro, seu carrinho cheio (como eu, ele já tinha trabalhado bastante mais cedo) parado em frente. Cumprimentei-o e quando desencostou o pacote de leite da boca pra me responder, vi que, além das mãos, sua boca também estava coberta de cola. Um halo amarelado sobre e em volta dos lábios.
A cena é rara porque agora, com as dificuldades burocráticas e com o preço elevado, os usuários da cola passaram a inalar solventes de tinta e similares. Mais baratos, mais práticos de carregar, vendidos em quaisquer material de construções, armazéns, supermercados. Mas ele era "das antigas", pelo jeito não se rendeu à versão líquida e mais fraca. Olho pra trás e ele já se levantou e começa a puxar o carrinho, talvez desconfiado de minha atitude incomum: cumprimentar um desconhecido em Curitiba, ou simplesmente medo, a paranóia que bate em todo drogadicto sob o efeito da substância que usa. Lá vai ele, imerso em seu mundo quimicamente alterado, num balé entre os carros, driblando a morte e sendo driblado pela vida.
Escrito por Aluísio de Paula às 15h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
JOSÉ E O AQUECIMENTO GLOBAL
JOSÉ E O AQUECIMENTO GLOBAL
José tem 58 anos e começou trabalhando na roça. "No cabo da enxada aos oito anos. Era meio de brincadeira, mas cada pé de mato que eu tirava, era um a menos pro véio tirá." No Norte do Paraná foi bóia-fria, servente de pedreiro, ajudante de carpinteiro, bóia-fria de novo, saqueiro (carregador de sacos). Cansou daquela vida e resolveu tentar a sorte na capital, como tantos outros. "Tava dificil pra arrumar trabalho, mas daí consegui um de lavador de defunto na universidade. Não era muito agradável, mas o ordenado era bão. Morria muita gente por causa das geadas naquele tempo, era muito mais frio que hoje."
O aquecimento global está aí, aumentando as temperaturas a cada ano. E José colabora (in)diretamente com ele. Depois de quatro meses lavando cadáveres saiu por causa das dores de cabeça que o cheiro de formol causa ("mas fiquei cuma dó por causa do ordenado..."). Foi ser frentista ao convencer o dono do posto de que se ele não desse conta em uma semana poderia meter-lhe o pé nos fundilhos. "Despois duma semana eu já sabia mais que os outros". Passou a lavador de carros, motorista de táxi, motorista de ônibus, onde trabalha até hoje e ajuda a esquentar mais o planeta. Planeta que já o ajudou a matar a fome quando matava indigentes de frio e que agora pode começar a matá-los com excesso de calor.
Escrito por Aluísio de Paula às 14h26
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
 |
| [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |